Desde meus 12 anos leio romances
água com açúcar, desses de banca.
E sempre fui sonhadora,
fantasiosa, almejando um romance como nos livros: amar à primeira vista, juras
de amor eterno, lágrimas, disputa, o ato de amor e viver felizes para sempre.
Esse desejo sempre foi alimentado
também pelos Contos de Fadas. Ter um príncipe encantado forte e corajoso para
te proteger, quem não quer?
Deveria ter uns 14 anos quando li
Romeu e Julieta pela primeira vez.
Intenso.
Um amor tão forte e profundo que
foram até as últimas consequências para ficarem juntos.
Existe algo mais romântico que
isso?
E nessa época li várias edições
diferentes, estava totalmente apaixonada pela estória dos amantes.
Alguns anos (filmes, séries e
livros) depois, li novamente, mas já não tive a mesma impressão de antes.
O Romeu começa o livro tão
apaixonado pela Rosalinda, tão obcecado que não quer nem ir para a balada com
os amigos.
Depois, vê a Julieta, só vê, e
esquece a outra moça e já está jurando amor eterno para a nova musa? Ah vá!
Como acreditar que o amor dele é
sincero e verdadeiro, se ele jurava para outra pessoa poucas páginas antes?
Fiquei atordoada com a minha
visão tão diferente da mesma estória que tinha me encantado anos atrás. Fiquei
cínica? Realista?
Cheguei à conclusão que cresci.
Hoje, casada e apaixonada, vejo
que o amor não tem só paixão, aquela loucura de pertencer a alguém de corpo e
alma. Tem renúncia, tem convivência, tem seus altos e baixos. Mas permanece
fiel, forte e bonito, quando o casal é sincero e tem respeito pelas diferenças
um do outro.
A inconstância não demonstra confiança.
E quanto ao fato do Romeu e da
Julieta levarem seu amor para o túmulo, deixo aqui uma citação de Mario Quintana:
“Tão bom morrer de amor... e
continuar vivendo.”
Ana Cláudia S M de R Freitas